Os atos que motivam o nosso maravilhamento e a nossa admiração e os grandes gestos trágicos colocados diante de nós pela arte e literatura nos lembram de que há um outro mundo por trás de nossas negociações cotidianas. Trata-se de um mundo de absolutos, no qual os princı́pios dominantes são a criação e a destruição, em vez dos compromissos, das obrigações e da lei. Mas algumas experiências provocam uma erupção neste mundo por meio do véu da promessa e o fazem conhecido por si mesmo. É certo que o poder da tragédia não consiste, como argumentou Aristóteles, em despertar e purgar a devoção e o medo, mas em mostrar que nós, humanos, podemos enfrentar a aniquilação, e, ainda assim, manter a nossa dignidade como seres livres e autoconscientes: podemos encara o sofrimento e a morte como indivı́duos e não como meros pedaços de carne. Em outras palavras: a morte pode ser suspensa da ordem da natureza e remodelada como uma caracterı́stica suportável do Lebesnwelt. (SCRUTON, Roger. A Alma do Mundo. Record: Rio de Janeiro, 2021, p. 199.)
Seguindo a tradição mais recente de o Papa fazer em suas primeiras manifestações menção ao antecessor, preservando o seu legado, o Papa Leão XIV não só fez importante referência às palavras do Papa Francisco sobre assuntos de crucial importância, como também, preservando a alta hierarquia da Santa Sé, deu seguimento a iniciativas de cunho nitidamente franciscano, como é o caso da justiça social, apoio a países pobres e promoção da dignidade do homem, temas tratados no encontro do Papa, acompanhado do Cardeal Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, com a primeira-ministra da Itália Giorgia Meloni, no último dia de 2 de julho, no Palácio apostólico (EQUIPE VIA ITALIA, 2025).
Reforçando o viés discreto, porém eficaz, que se estima de Leão XIV em seu pontificado, a escolha pelo cardeal Prevost do seu nome pontifício, como sói acontecer na sucessão papal, o vincula à tradição do último pontífice assim intitulado, nesse caso, Leão XIII, que marcou o seu papado por grande habilidade diplomática. Na mesma linha, pela sua tradição de introspecção espiritual e de argumentação epistemologicamente sustentada, não se deve esperar do agostinianismo manifestações vistosas, atraentes às manchetes, mas sim uma atuação discreta e contínua nos foros políticos, sociais e religiosos segundo a doutrina católica.
1. PAZ
Paz foi o tema da primeira oração pública dominical de Leão XIV na Praça de São Pedro, em Roma, no Angelus de 11 de maio de 2025, na qual, referindo-se à data de 8 de maio que marcou o “término da imensa tragédia que foi a Segunda Guerra Mundial”, citou o alerta do Papa Francisco para “o cenário atual de uma terceira guerra mundial em pedaços”, alerta dirigido aos “grandes do mundo reiterando o apelo sempre atual: nunca mais a guerra!” (LEÃO XIV, 11/05/2025).
Com efeito, o Papa Francisco foi um veemente crítico da guerra, elevando sua voz contra o dirigente russo após o ataque à Ucrânia em fevereiro de 2022, e ainda que a ele tivesse se dirigido cordialmente, quando investido da presidência da Cúpula do G 20 em São Petersburgo, em carta de 4 de setembro de 2013, foi enfático ao condenar a violência na Síria e pontificar: “as guerras constituem a rejeição prática de se comprometer para alcançar aquelas grandes metas econômicas e sociais que a comunidade internacional estabeleceu” (FRANCISCO, 04/09/2013).
Mais importantes foram as manifestações doutrinárias de Francisco sobre a paz. Na encíclica Laudato Si, Francisco lembrou a encíclica Pacem in terris, na qual João XXIII afirmava que “a paz na terra, anseio profundo de todos os homens de todos os tempos, não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída por Deus” (JOÃO XXIII, 1963). E na sua segunda encíclica social, a Fratelli Tutti, Francisco enfatizou a dimensão humana da paz, onde ela começa: ”os processos efetivos duma paz duradoura são, antes de mais nada, transformações artesanais realizadas pelos povos, onde cada pessoa pode ser um fermento eficaz com o seu estilo de vida diária” (FRANCISCO, 2020, n. 231). E reiterou o caminho para a paz mundial esquecido tantas vezes: “entre as religiões é possível um caminho para a paz” (Ibid., n. 281). Vinculando a tradição franciscana à causa da paz, Francisco enfocou a paz interna, ao asseverar que “nunca está terminada a construção da paz social em um país” (Ibid., 232).
A doutrina católica sobre a paz está contida no Catecismo da Igreja, seja pelo viés social, em que é denunciada a desigualdade como ameaça à paz social e internacional[1], bem como as desordens a serem vencidas para edificar a paz e evitar a guerra[2]; seja pelo enfoque internacional, advertindo que “a corrida aos armamentos não garante a paz”[3] e apontando “a solidariedade internacional como exigência moral da qual, em parte, depende a paz mundial”[4]; e substancialmente pelo ponto de vista teológico, segundo o qual Deus concede o perdão e a paz[5], um preceito de grande significado nas relações humanas. Cumpre destacar ainda, no contexto das prescrições do Catecismo para evitar a guerra, a validade da legítima defesa, tema abordado por Santo Agostinho em “Sobre o Livre Arbítrio”, assim como a contribuição para a manutenção “da paz e o bem comum das nações daqueles que na vida militar se dedicam ao serviço da pátria [...] se retamente cumprem seu dever”[6].
Tendo reafirmado a posição da Igreja Católica pela paz em sua primeira oração pública, Leão XIV adotou uma postura discreta, indicando que a sua atuação será eminentemente diplomática na mediação dos principais conflitos em curso, aproveitando as pontes ecumênicas diligentemente lançadas por Francisco em seu pontificado.
2. JUSTIÇA
O pontificado de Francisco, pela ênfase social, pode ser considerado essencialmente voltado para a justiça, porém, em duas de suas encíclicas, ele foi enfático, colocando-a no cerne da vida espiritual. Em Laudato Si, lembrando como a experiência do cativeiro na Babilônia gerou uma crise espiritual que levou a um aprofundamento da fé em Deus, ele apontou que “a injustiça não é invencível” (FRANCISCO, 2015, n. 74). E em Fratelli Tutti ensinou que “... a justiça procura-se de modo adequado só por amor à justiça” (FRANCISCO, 2020, n. 252). As duas menções de Francisco à justiça remetem-na a Deus. Em primeiro lugar, pela fé nele depositada que assegura a vitória sobre a injustiça e, em segundo, por ser o amor à justiça, em verdade, o amor a Deus.
Com efeito, a visão espiritual de Francisco sobre a justiça está coberta pela do Catecismo, na qual a justiça, como uma das virtudes morais, “consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhe é devido” (JOÃO PAULO II, 2016, p. 486), orientando a conduta do homem justo que se distingue “pela habitual correção de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo. ‘Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso. Julga o próximo conforme a justiça’ (Lv 19,15)” (Ibid., p. 487).
Vai no mesmo sentido a tradição do agostianismo, cuja concepção de “justiça insere-se dentro das categorias do pensamento apreensíveis somente pelo espírito” (MATTOS, 2016, p. 106), sendo o homem justo definido pelo conhecimento que sua alma, “princípio vital e sede da vida moral do homem, mas também como instância humana privilegiada” (Ibid.), tem dessas realidades inteligíveis. A concepção de justiça agostiniana está, portanto, vinculada à alma de forma irredutível, conformando-se “às regras imutáveis e às luzes da virtude que vivem incorruptivelmente na própria verdade e na sabedoria que a todos é comum” (SANTO AGOSTINHO, 2021, p. 99).
É significativo que o Papa Leão XIV tenha destacado na homilia que realizou na Basílica de São Paulo, em 20 de maio de 2025, três grandes temas; a graça, a fé e a justiça (LEÃO XIV, 20/05/2025), referindo-se à Carta aos Romanos, na qual São Paulo integra esses temas pela exegese do Antigo Testamento à luz do Evangelho que anuncia. Na ocasião, o Papa convidou à meditação sobre a mensagem do Apóstolo dos Gentios.
A Carta de São Paulo aos Romanos define a justiça como fonte de vida a todos os homens (3,21 – 5,11) que, em Cristo, se tornam “servos da justiça” (18), a justiça de Deus, o que não impede que o Teólogo da Graça apresente conselhos e preceitos morais (12 – 15, 13) como guias da conduta humana: reconhecer a verdadeira religião (12), submeter-se às autoridades (13), ter o dever da tolerância (14) e praticar a condescendência mútua (15).
3. MORAL
Na melhor tradição do franciscanismo, em suas muitas manifestações a favor do acolhimento de todos na Igreja, o Papa Francisco foi um crítico do uso da moral como instrumento e pretexto de exclusão, essencialmente contrária à caridade. Em Fratelli Tutti, Francisco, ao comentar a “base dos consensos” que interliga moral, direito e justiça, faz uma advertência aplicável a todos os tempos.
O relativismo não é a solução. Sob o véu duma presumível tolerância, acaba-se por facilitar que os valores morais sejam interpretados pelos poderosos segundo as conveniências da hora. Se, em última análise, “não há verdades objetivas nem princípios estáveis, fora da satisfação das aspirações próprias e das necessidades imediatas, (…) não podemos pensar que os programas políticos ou a força da lei sejam suficientes (…). Quando é a cultura que se corrompe deixando de reconhecer qualquer verdade objetiva ou quaisquer princípios universalmente válidos, as leis só se poderão entender como imposições arbitrárias e obstáculos a evitar”. (FRANCISCO, 2020, n. 206).
E, logo adiante, amplia essa base de consensos, abrindo as portas para o diálogo da convicção nos princípios éticos e inegociáveis com a crença na natureza humana criada por Deus como verdadeira fonte desses princípios, cuja “validade universal [...] firme e estável consiga impedir novas catástrofes” (Ibid., n. 214), o que assinala a preocupação do Papa Francisco com a consciência de uma moral cristã ecumênica e eficaz perante as ameaças que rondam a civilização e a humanidade.
Essa moral cristã está definida no Catecismo como lei, lei moral, “uma instrução paterna, uma pedagogia divina” (JOÃO PAULO, 2016, p. 515), uma lei, a qual, mais do que promulgada por autoridade competente, supõe uma ordenação da razão emanada do poder, sabedoria e bondade do Criador.
A doutrina moral do catolicismo é fundamentada teologicamente, não havendo qualquer dúvida sobre a sua inspiração e o seu alcance, ao longo de todo o campo de ação da Igreja Católica. Para a compreensão dessa abrangência, é indispensável ter em mente que a lei moral prescrita pela Igreja abrange distintas expressões: “a lei eterna, fonte, em Deus de todas as leis: a lei natural, a Lei revelada compreendendo a Lei antiga e a nova Lei (ou Lei evangélica); enfim as leis civis e eclesiásticas” (Ibid., p. 516) que abrangem toda a vida espiritual e social do homem. Dessa maneira, para os católicos, moral e lei seguem juntas, não como prescrição civil, mas inspiração divina, o que lega ao Papa um papel indeclinável perante a humanidade.
A questão moral se remete a um pensamento clássico do agostinianismo, que é a relação entre Estado e Igreja. É com Santo Agostinho que a distinção entre Cidade, ou Estado, de Deus e do demônio, já sugerida na Bíblia, toma consistência para se tornar, não somente a pedra de toque da relação entre as duas comunidades, mas também a base da filosofia agostiniana da História. Segundo Agostinho, estariam as “duas comunidades inspiradas em atitudes mentais e morais divergentes” (BOEHMER; GILSON, 2012, p. 197).
Condenando o Estado de seu tempo, Agostinho não estigmatiza, no entanto, todos os estados profanos como instituições diabólicas. “Ao contrário, sua convicção é que o Estado, como tal, é uma instituição benéfica, e até mesmo necessária para remediar o pecado. Não só isso: o Estado é um dom de Deus” (Ibid., p. 198).
Mas para o Estado ser bom deve conhecer a verdadeira justiça. Como representante do ordenamento natural, cuja paz e ordem deve manter, o Estado não pode contrariar a lei eterna. A lei moral não pode deixar de sustentar a lei que homens e Estado constituem e usam para viver em comunidade, sob pena de, nas palavras do Papa Francisco, ela se tornar mero obstáculo a evitar. Essa é a essência do pensamento do agostinianismo sobre a relação Igreja–Estado da qual não se deve esperar que o Papa Leão XIV se afaste.
4. VIDA
Vida é o verbete mais mencionado no Catecismo da Igreja Católica, o que está perfeitamente justificado na fé em Deus que é vida e dá a vida. Uma das grandes contribuições do Papa Francisco à Igreja, se não a maior delas, foi a proposição de uma perspectiva cristã da vida que, além dos aspectos teológicos, eclesiais, sociais, morais e científicos, incluísse o relacionamento entre o homem e a natureza, refletindo a mais forte influência do franciscanismo no pontificado de Francisco.
Em Laudato Si, alertando que “por um lado, Deus confiou o mundo ao ser humano e, por outro, a própria vida humana é um dom que deve ser protegido de várias formas de degradação” (FRANCISCO, 2015, n. 5), Francisco retomou as palavras de João Paulo II por uma “conversão ecológica global” (Ibid.), denunciando “a destruição do ambiente humano [como] um fato muito grave” (Ibid.).
Com isso, Francisco foi além do enfoque meramente ecológico para colocar no “livro da natureza” outros aspectos, como “a vida, a sexualidade, a família, as relações sociais” (Ibid., n. 6); valendo-se das palavras de Bento XVI para apontar as chagas causadas no ambiente natural pelo “nosso comportamento irresponsável” (Ibid.). A abrangência de Francisco nessa encíclica, combinando a ênfase naturalista do franciscanismo com as denúncias de seus antecessores sobre o desrespeito humano à natureza, não só da perspectiva ecológica, mas social, tem um significado de grande profundidade do ponto de vista teológico, dando ao natural um sentido divino que alcança indistintamente todos os campos da vida humana.
Essa concepção de Francisco se revela quando ele lembra as relações fundamentais sobre a existência humana, “as relações com Deus, com o próximo e com a terra” (Ibid., n. 66), vínculos que ele usa para pregar que o homem reverta o pecado consumado pela ruptura daquelas relações, reconciliando-se com todas as criaturas, inspirado no exemplo de harmonia de São Francisco de Assis.
Esse é o ponto alto da teologia franciscana trazida por Francisco à nossa realidade do qual a Igreja certamente não se afastará: um partilhamento de vida de toda a natureza como fundamento de uma existência humana harmoniosa em todas as dimensões e em comunhão com Deus.
A adição do novo formulário de oração para a Missa pela Proteção da Criação ao Missal Romano, que reúne missas e orações para diferentes necessidades, faz evidente a incorporação da pregação de Francisco na doutrina da Igreja. O formulário foi usado pela primeira vez na missa privada presidida pelo Papa Leão XIV em Castel Gandolfo, a 9 de julho de 2025 no Borgo Laudato Si[7], aos 10 anos da encíclica. Em sua homilia, Leão XIV, usando as palavras do Papa Francisco – “a Criação encontra a sua maior elevação na Eucaristia” (LEÃO XIV, 9/07/2025) - mostra como, por esta, o homem pode encontrar Deus no seu próprio mundo. Concluindo sua fala com o louvor de Santo Agostinho – “Ó Senhor tuas obras te louvamos para que te amemos e nós te amamos para que tuas obras te louvem” – Leão XIV rogou para que seja essa a harmonia transmitida pela Igreja ao mundo.
5. CONCLUSÃO
A ascensão de Leão XIV à cátedra de São Pedro não caracteriza uma transição, mas sim uma sucessão. Reconhecer esse processo à luz da longa história da Igreja Católica favorece a compreensão do seu papel como a mais antiga, duradoura e bem-sucedida instituição da humanidade.
Paz, justiça, moral e vida foram temas tratados pelo Papa Francisco com corajosa ênfase, sobre os quais já se manifestou Leão XIV, ambos amparados na tradição de ordens religiosas de grande relevo na história da Igreja e cujas contribuições já foram incorporadas à doutrina católica. Ainda numa demonstração de continuidade, os dois papas se manifestaram sobre esses temas e outros relevantes referindo-se a seus antecessores, como estes já vinham fazendo há muito. Também, do cotejo das manifestações de Francisco e de Leão XIV com a “exposição da única e perene fé católica [...], válido e legítimo instrumento para a comunhão eclesial e uma norma segura para o ensino da fé” (JOÃO PAULO, 2016, p. 5) que é o Catecismo da Igreja Católica, comprova-se a unidade doutrinária que permeia os pontificados.
A metodologia aplicada à análise do legado de Francisco e aos desafios colocados a Leão XIV foi validada pelos acontecimentos recentes verificados na conjuntura internacional e pela atuação do novo papa ao longo dos seus primeiros meses de pontificado. Sobre os temas relevantes explorados neste estudo, Leão XIV se posicionou em nítida convergência doutrinária e pontifícia com Francisco, do que se destaca sua homilia no Borgo Laudato si, em julho último.
Como era de se esperar, o agravamento das tensões na conjuntura internacional colocou em evidência o Vaticano como instância mediadora, passando a ser mencionado como possível local de encontro entre as partes envolvidas no conflito entre Rússia e Ucrânia, do que também merece destaque a recepção do presidente ucraniano pelo papa Leão XIV, um dos poucos sinais exteriores da atuação da Igreja nesse processo.
O que se nota é uma diferença mais de método do que na essência do apostolado pontifício, com Leão XIV priorizando a movimentação diplomática de bastidores na promoção da paz e, no tocante aos assuntos doutrinários, de moral e de fé, manifestando-se de forma oficial em atos litúrgicos e institucionais, dando menos espaço à repercussão e à eventual exploração midiática que suscite polêmica e divisão no seio da Igreja.
Unidade é, sem dúvida, o grande objetivo de Leão XIV, já estabelecido e até aqui bem-sucedido, graças à cuidadosa estratégia política e de comunicação que se pode notar na ação desenvolvida pela Santa Sé. Esse resultado vem ao encontro da necessidade percebida pela comunidade internacional de uma ação ecumênica da Igreja Católica, como pelo mundo católico, de certa forma sobressaltado pela polarização que também assolou a Igreja devido à falta de leitura adequada de sua consolidada doutrina.
A sucessão pontifícia neste momento da História coloca, no entanto, questão que, não obstante se plasme nos temas paz, justiça, moral e vida, é mais abrangente do que eles, fundindo-os até na dimensão existencial humana que historiadores e filósofos percebem por vias que não a religiosa.
Muito embora a Igreja se mova em notadas continuidade e consistência doutrinária, a realidade em torno dela é fluída e imprevista, até disruptiva nos dias de hoje, sem que tal aconteça apenas no campo das relações internacionais, mas também nas relações humanas em geral, com a emersão de questões que evidenciam um grande mal-estar e inquietude que, dito existencial, é em tudo e por tudo espiritual.
Como asseveram alguns dos grandes pensadores da questão civilizacional, esta é restrita demais para encaminhar resposta aos desafios colocados à humanidade a essa altura de sua evolução. Essa é a natureza do desafio colocado a Leão XIV na Cátedra de São Pedro, que a Igreja que ele conduz, pelo seu magistério, pode responder.
REFERÊNCIAS
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BOEHNER, Philotheus; GILSON, Ettiene. História da Filosofia Cristã. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2012.
CASSADY, Richard F.. The Emperor and the Saint: Frederick II of Hohenstaufen, Francis of Assisi, and the Journeys to Medieval Places. De Kalbs, Illinois: Northern Illinois University Press, 2011.
DANIEL-ROPS, Henri. A Igreja dos Tempos Bárbaros. São Paulo: Quadrante, 1991.
__________ A Igreja das Catedrais e das Cruzadas, 2 ed.. São Paulo: Quadrante, 2011.
ELIAS, Norbert. O processo civilizacional: investigações sociogenéticas e psicogenéticas. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2006.
EQUIPE LA VIA ITALIA. Meloni se reúne com o Papa e autoridades do Vaticano para tratar de temas internacionais. 2 Jul 2025, disponível em < https://laviaitalia.com.br/artigos/noticias/papa-prevost-recebe-giorgia-meloni-no-vaticano/ >.
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_____ Carta do Papa Francisco ao Presidente da Federação Russa Vladimir Putin, por ocasião da Cúpula do G20 em São Petersburgo. Libreria Editrice Vaticana: Vaticano, 04/09/2013.
_____ Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Santo Padre Francisco ao episcopado, ao clero, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos sobre o anúncio do Evangelho no mundo actual. Libreria Editrice Vaticana: Vaticano, 24/11/2013.
_____ Encíclica Laudato Si do Santo Padre Francisco, Sobre o Cuidado da Casa Comum. Libreria Editrice Vaticana: Vaticano, 2015.
Sérgio Paulo - 03/03/2026 08:06 - 25 - 0
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