Conhecimento é a capacidade humana de empreender uma ação de forma especı́fica a um agente e por ele desenvolvida através do raciocínio. Nas sociedades industrializadas o conhecimento já se instalou por meio do processo histórico como ingrediente obrigatório em qualquer atividade econômica, política ou social. Coesão social, padronização de ações simples que reduzem tempo e despesas, autonomia individual e solidariedade funcional são alguns exemplos dos resultados da consolidação de uma sociedade baseada no conhecimento.
Resumo
Existem várias explicações para o grau de desenvolvimento econômico, social e político de uma determinada sociedade, porém o conhecimento será sempre uma das condições necessárias e obrigatórias para uma nação conhecer a si própria, estabelecer instituições sólidas e confiáveis, gerar riqueza e promover equanimidade. Frequentemente tomam-se como áreas de aplicação do conhecimento apenas aquelas vinculadas à ciência e tecnologia ou à pesquisa e desenvolvimento tecnológicos. É preciso ampliar a percepção do campo do conhecimento, pois ele se aplica a todas as formas de ação política, econômica e social.
O conhecimento pode ser produzido, aplicado e desenvolvido de diferentes formas. Enquanto nas sociedades primitivas ele surgia de forma experimental - e acidental muitas vezes - e transmitia-se pessoalmente, nas sociedades industriais, onde o grau de institucionalização é elevado, ele é criado de maneira sistemática e direcionado a metas políticas, econômicas e sociais. Apreciada em um contexto mais amplo, a produção de conhecimento afigura-se como central para o País, capaz de inspirar políticas virtuosas. O compromisso e a forma de gerá-la estão além dela mesma, situando-se no campo de ação dos tomadores de decisão e legisladores.
Há condicionantes políticas, econômicas e sociais a serem levadas em conta para a promoção de um ambiente de produção de conhecimento, porém ela está estreitamente ligada à educação, geradora dos recursos humanos que a realizarão. Quando tantos esforços se fazem hoje para melhorar a educação no País, talvez fosse útil comprometê-la com a produção e aplicação do conhecimento, despertando-lhe um sentido finalístico potencialmente mobilizador capaz de reverter expectativas gerais na sociedade brasileira.
Com o intuito de motivar e subsidiar o debate a respeito da produção de conhecimento no Brasil, o presente ensaio, a partir de uma sucinta perspectiva histórica da produção do conhecimento, apresenta considerações sobre a difusão da metodologia da pesquisa científica e propõe ações políticas, estratégicas e operacionais que a estimulem.
Palavras-chave – Educação, pesquisa, desenvolvimento, conhecimento científico
1. Introdução
As críticas ao desempenho de estudantes e escolas no Brasil aparentemente têm produzido pouco resultado e muita polêmica em torno das medidas que poderiam reverter o quadro de deterioração da educação nacional. Paralelamente, evidenciam-se as carências da sociedade brasileira para o atendimento às demandas do conhecimento necessário às atividades econômicas, políticas e sociais do país. Transferências de tecnologia se frustram, a arquitetura político-partidária parece não corresponder às realidades nacionais e a adaptação de modelos sociais estranhos à cultura nacional geram conflito e desorientação. Não é preciso taxar esse diagnóstico de otimista ou pessimista, pois ele está presente no cotidiano nacional, desafiando autoridades e lideranças há décadas.
É limitada até mesmo a capacidade de o Brasil produzir conhecimento para explorar as riquezas naturais em seu vasto espaço. Não é de se esperar que um crescimento econômico acontecendo sobre resilientes bolsões de pobreza vá servir ao futuro do país. Por outro lado, almejar que o Brasil continue a ser primordialmente um grande detentor e exportador de recursos naturais é perpetuar os problemas que as nações desenvolvidas ultrapassaram desde as revoluções industriais, como misérias extensivas, conflitos agrários, degradação ambiental, inchaços urbanos e iniquidades distributivas, os já cognominados emblemas do atraso.
O paralelo entre as dificuldades da educação brasileira e a carência de conhecimento não é uma coincidência. O enlace entre educação e conhecimento acontece na pesquisa e é vital que essa tríade - educação, pesquisa e conhecimento - assuma um novo papel, definitivo, na sociedade brasileira. Há uma grande escolha a ser feita.
Publicado pela Revista da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Coleção Meira Mattos, v. 1, n. 21, de 2010; pela Revista do Instituto de Pesquisa e Administração da Educação, n. 143, de julho-agosto de 2011, p. 6-16; e no Portal do Centro de Pesquisas Estratégicas da UFJF.
Leia o artigo completo: https://ipae.com.br/pub/pt/re/ae/143/143.pdf
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